sexta-feira, outubro 15

Querido John.²

"Não", disse ela. "Você não estava me ouvindo?"
Ela fez uma pausa, como se tentando organizar seus pensamentos caóticos. " Eu não queria me apaixonar por alguém", disse. "Não estava pronta para isso. Já passei por isso uma vez e depois foi um caos. Sei que é diferente, mas você vai embora em poucos dias e tudo estará terminado... e vai ser um caos de novo."
"Não tem que terminar", protestei.
"Mas vai", Ela disse. "Sei que podemos escrever e telefonar de vez em quando, e nos ver quando vier para casa de licença. Mas não será a mesma coisa. Não vou ver suas caretas. Não vamos deitar juntos na praia olhando as estrelas. Não vamos sentar um de frente para o outro, conversar e contar segredos. Não vou sentir seu abraço, como agora."
Eu me virei, com um sensação crescente de frustração e de pânico. Tudo o que ela dizia era verdade.
"Só me toquei hoje", ela prosseguiu, "enquanto estava na livraria. Fui comprar um livro para você e, quando achei fiquei imaginando qual seria sua reação ao recebê-lo. O fato é que eu sabia que iria te encontrar algumas horas mais tarde e ficaria sabendo sua reação, então tudo bem. Porque, mesmo se você ficasse chateado, eu sabia que poderíamos resolver as coisas, conversar cara a cara. Foi o que percebi sentada aqui. Quando estamos juntos tudo é possível." Ela hesitou, mas continuou em seguida. "Muito em breve, isso não será mais possível. Desde que nos conhecemos, sei que você só ficaria aqui por duas semanas, mas não pensei que seria tão difícil dizer adeus".
"Eu não quero dizer adeus", reagi virando o rosto dela para o meu, gentilmente.
(...)

Percorremos um corredor todo ladeado de arbustos. "Então, o que você quer fazer?", perguntei. "A nosso respeito, quero dizer.
"Não vai ser fácil", disse ela.
"Sei que não vai", respondi. "Mas não quero que termine". Detive-me sabendo que palavras não seriam suficiente. Então abracei-a por trás e puxei seu corpo para junto ao meu. Beijei seu pescoço, sua orelha, saboreando a pele aveludada. "Vou ligar o máximo que puder, escrever sempre que puder e vou ter outra licença no ano que vem, Onde quer que você esteja, é para lá que eu vou."
Ela inclinou-se para trás, tentando vislumbrar meu rosto. "Você vai?"
Apertei-a. "Claro. Quer dizer, não estou feliz em deixar você, e desejo mais do que qualquer coisa servir em um lugar perto daqui, mas isso tudo que posso prometer agora. Posso pedir transferência assim que voltar, e é isso que farei, mas nunca se sabe como essas coisas vão acontecer."